A história da Aurora
Se você está lendo isso, eu já te peço, do fundo do meu coração, que vá até o final. Eu sei que existem mil histórias circulando na internet e que é difícil parar pra ouvir mais uma. Mas a minha filha tem 3 anos. E a vida dela depende, neste momento, de pessoas que ela nem sabe que existem. Pessoas como você.
Meu nome é Polyana Costa Nascimento. Eu sou mãe da Aurora Alana Moura do Nascimento, a nossa Aurora, que está com 3 aninhos. A Aurora é minha princesa, minha guerreira, e está enfrentando a maior batalha que uma criança da idade dela jamais deveria enfrentar.
Ela tem neuroblastoma em estágio 4. Um câncer.
O que é o neuroblastoma
Eu vou contar do jeito que os médicos me explicaram, porque eu também não conhecia essa doença antes da minha filha receber esse diagnóstico, e eu sei que quase ninguém conhece.
O neuroblastoma é um tipo de câncer infantil. Ele surge em células do sistema nervoso, normalmente perto das glândulas adrenais, e tem uma característica muito cruel: ele se espalha rápido. Quando a gente diz que está em estágio 4, isso significa que ele já saiu do lugar de origem e foi pra outras partes do corpo.
No caso da Aurora, as lesões da doença, as células cancerígenas, já estão no quadril, na perna e na cabeça. Isso quer dizer que cada dia que passa sem o tratamento certo é um dia em que essas células estão se multiplicando dentro do corpo da minha filha.
A longa luta que enfrentamos
A Aurora já passou por muita coisa. Muita coisa mesmo. Desde o ano passado pra cá ela fez ciclos e mais ciclos de quimioterapia. Finalizou em fevereiro. Eu queria que você parasse um pouquinho e tentasse imaginar o que é ver uma criança de 3 anos passando por uma sessão de quimio. Caindo o cabelo. Vomitando. Não conseguindo comer. Sentindo dores que ela nem sabe explicar, porque ela é nova demais pra ter palavra pra esse tipo de dor. Mas ela aguentou. Ela é uma menininha de uma força que eu não tenho como explicar.
A médica da Aurora me disse, com toda a clareza que ela conseguiu, uma frase que eu carrego comigo todos os dias desde então. Todos os tipos de quimioterapia que a Aurora poderia tomar, considerando o tipo de câncer que ela tem, ela já tomou. Já fizemos tudo o que o protocolo padrão permite. A gente chegou no fim do que o sistema convencional oferece pra ela.
E é aqui que entra a parte mais difícil de explicar pra quem nunca passou por isso.
O único remédio que pode salvar
Existe uma medicação chamada Qarziba. É um anticorpo monoclonal específico pra crianças com neuroblastoma em estágio avançado. Esse remédio aumenta de forma muito significativa a chance de sobrevivência das crianças que estão no caso da Aurora. É a esperança real, comprovada pela ciência, de que a minha filha não recaia.
O problema é o seguinte. Cada ampola dessa medicação custa entre 85 mil e 100 mil reais. A Aurora precisa de 20 ampolas, distribuídas em 5 ciclos de tratamento. Fazendo a conta, o tratamento completo dela custa cerca de 2 milhões de reais.
Eu sei que parece um número irreal. Pra mim também parece. Eu não tinha como nem começar a juntar esse dinheiro sozinha, com qualquer trabalho, em uma vida inteira.
A gente entrou com pedido na justiça pra que o SUS forneça a medicação. Esse é o caminho legal e legítimo, e tem muita criança brasileira que já conseguiu o Qarziba assim. Mas eu te conto o que a doutora me disse, e o que eu vi com meus próprios olhos. O processo judicial é lento. As últimas famílias que conseguiram a medicação pelo SUS levaram em torno de oito meses entre entrar com o pedido e o remédio chegar de verdade. Oito meses.
A Aurora não tem oito meses.
A médica foi muito honesta comigo. Ela disse que, se a gente tivesse o dinheiro pra comprar pelo menos parte das ampolas e começar o tratamento agora, sem esperar pela justiça, as chances dela seriam muito melhores. É isso. É essa a verdade. A gente está correndo contra um relógio que não para. A cada semana sem o Qarziba, é uma semana a mais em que essas células do câncer continuam ali, no quadril, na perna e na cabeça da minha filha.
Como está a Aurora agora
Hoje a Aurora não está tomando nenhuma medicação específica pra combater a doença. Ela finalizou os ciclos de quimioterapia. A gente está nesse espaço de tempo entre o fim de um tratamento e o começo do outro, sem saber se a gente vai conseguir começar o outro a tempo. É uma sensação que eu não desejo pra nenhuma mãe no mundo.
A gente reza. A gente segue. A gente espera. E a gente conta com quem chegou até aqui.
A Aurora ainda é uma menininha que sorri. Que faz birra como toda criança da idade dela. Que pede pra brincar, que escolhe o vestido que vai usar, que reclama da comida. Ela ainda é a Aurora que sempre foi, só que agora vivendo dentro de um corpinho que está em guerra.
Por que eu preciso pedir
Eu queria não precisar estar fazendo isso. Eu queria que a minha filha tivesse só uma infância normal, com dor de joelho ralado e medo de vacina, como qualquer criança. Mas a realidade que a gente vive é outra, e eu já entendi que não dá pra atravessar isso sozinha.
A Aurora tem a mim e tem a Deus. E agora ela precisa contar também com a sua mão, mesmo que seja uma mão de longe, que ela nem vai conhecer.
Cada doação que chega aqui vira uma coisa concreta. Vira ampola de Qarziba. Vira fralda. Vira alimento. Vira suplemento que ajuda ela a recuperar peso. Vira o transporte pra mais uma consulta. Vira o exame do mês. Vira a noite que eu durmo uma horinha mais tranquila, porque sei que tem mais alguém do lado de fora torcendo por ela.
Eu te agradeço por ter lido até aqui. De verdade. Cada vez que alguém chega no final dessa história, eu sinto que a Aurora ganhou mais um anjo.
Com todo o amor de uma mãe,
Polyana, mãe da Aurora.